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Moreré parte 3 – Travessia de Moreré a Castelhanos

Nosso colaborador, Deco Adjiman, visitou o litoral baiano e conta suas experiências com o Satnd Up Paddle em três relatos. Aqui o último com a travessia Moreré – Castelhanos – Moreré. Leia a parte 1 e a parte 2.
 
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Mangue em Moreré


Foi minha última remada, a mais longa, mais difícil e mais bonita, passando por trechos de baias de águas calmas, mar aberto, recifes, rio e mangue. A ideia inicial era apenas remar de Moreré até a ponta da Praia do Bainema onde encontraria amigos para seguir a pé até a Ponta dos Castelhanos. A saída pela baia de Moreré é sempre espetacular, nesse dia saí com a maré cheia, mas era maré morta (fase de Lua Nova em que a variação da maré não é tão grande, mas ainda assim considerável em relação à nossa variação de maré no sudeste) então tive de caminhar um pouco até conseguir começar a remar.
 
Depois de passar pelo canal de Moreré a remada foi relativamente com vento a favor (é sempre meio maral, de lado, portanto) e cruzando ondulações de até 2 metros no meio da praia do Bainema e algumas tartarugas pelo caminho. Resolvi ir até o extremo dos recifes de Bainema para conhecer na maré cheia e então fui até o local combinado de encontrar meus amigos. Na longa praia do Bainema existem apenas umas 3 construções e uma delas é um camping onde também funciona o Boipeba Adventures. Lá conheci a proprietária e em um rápido papo ela me falou que estava na condição ideal para ir remando até Castelhanos, passando por dentro dos recifes e pelo mangue, só seria complicado voltar, pois a maré estava secando. Como a minha ideia era ir a pé e voltar de barco com outros amigos no fim da tarde, resolvi encarar.
 
 
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Praia de Bainema
Esse trecho é simplesmente incrível, no inicio rema-se sobre o recife bem raso e a transparência da água permite ver esse universo de vida, e então o recife encontra o mangue e forma-se uma avenida de água praticamente parada, encurralada entre as pedras e o mangue, perfeita para uma remada contemplativa. A proprietária do camping (esqueci o nome dela…) havia me falado de um atalho pelo mangue que desemboca no Rio Catu, já na Baia de Castelhanos, mas eu não o encontrei no caminho de ida. Segui sempre reto e fui dar na foz do rio, em um cenário paradisíaco. Já estava um pouco cansado mas como sabia que a volta seria de barco resolvi explorar o rio e remei rio acima por cerca de 20 minutos numa calmaria total das águas e com vento a favor. Dei a volta em uma pequena ilha do rio e voltei com um forte vento contra que soprava do mar. Parei para conversar com os barqueiros que atravessavam as pessoas que chegavam pelo mangue e eles me explicaram onde era o atalho que me levaria de volta para o mar, mas disseram que já estava ficando tarde para tentar voltar pois a maré estava secando. Como voltaria de barco resolvi remar novamente até a foz a caminho da barraca de coco onde meus amigos deveriam estar e onde poderia descansar e brincar com o pequeno Isaac. No caminho percebi que alguém me chamava da praia, remei naquela direção e identifiquei o guia que iria trazer meus amigos. Ele me disse que o pessoal tinha desistido, assim como o resto da turma que viria de barco, então eu tinha duas alternativas, ou tentava arrumar um barco para voltar (o que não seria muito difícil) ou encarava a remada de volta (com maré seca e vento mais contra). Resolvi encarar a segunda opção.
 
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Praia de Castelhanos, na ilha de Boipeba – foto: boipebatur
Mesmo com mais dicas do guia sobre o atalho no mangue, errei duas vezes a entrada e em uma delas o canal era tão estreito que tive de sair do SUP, afundar os pés na lama e girar a prancha por cima da cabeça para voltar. Na 3ª tentativa encontrei o atalho e tive uma remada maravilhosa de uns 15 minutos sobre as águas escuras e um manguezal de árvores enormes. A saída do mangue para o mar é muito impactante, mas realmente estava bem raso. Consegui remar ficando bem na frente da prancha e fazendo com que a quilha ficasse mais pra cima por algum tempo, mas depois resolvi sair da proteção dos recifes por um canal que identifiquei. Na parte de fora a remada foi bem complicada, cai várias vezes com ondas que vinham de várias direções e de surpresa, em uma das quedas fiquei bem feliz de estar de botinha e poder pisar nas pedras sem medo, foi a parte mais intensa da remada, com vento forte e ondas grandes me empurrando para o recife. Mais para frente identifiquei um outro canal e resolvi retornar para dentro do recife, o que foi uma ótima decisão, pois estava fundo o suficiente para remar de volta até a ponta de Bainema praticamente sobre uma lagoa de corais até encontrar meus amigos no camping.
 
 
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Entre o mangue e os recifes, no rio Catu
 

Ficamos algumas horas por lá, dei um belo cochilo na rede, então decidimos voltar quase no fim da tarde. A remada de volta cruzando toda praia de Bainema teve bastante vento contra e tive de dar uma volta grande para entrar no canal de Moreré. Já dentro do canal, no poço profundo, encontrei uns conhecidos e emprestei o SUP para os filhos brincarem um pouco e então dei a tranquila remada final pela baia de Moreré com vento a favor e sorriso no rosto.
 
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Mapa da trevessia de SUP de Moreré a Castelhanos (ida e volta)
 
 

Distância = aproximadamente 20 km

Duração = 4 horas e 30 minutos remando, 8 horas com todas as paradas

Vento = intensidade de nulo a forte, favorável e contra (de lado na maior parte do tempo)

Ondas = idem
 
 
Texto e fotos: Deco Adjiman

 

 

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