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Remadas em Moreré – parte 1

Nosso colaborador, Deco Adjiman, visitou o litoral baiano e conta suas experiências com o Satnd Up Paddle em três relatos. Aqui o primeiro com a apresentação da Ilha de Boipeba, dicas para remar por lá e o relato de duas pequenas travessias. Leia a parte 2 e a parte 3.

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Prancha de SUP entre o mangue e os recifes de Moreré

 

“O mundo é uma ilha” me disse o menino enquanto desenhava um círculo na areia da praia da Tiririca, em Itacaré, em 1998 na minha primeira viagem pela Bahia. “Para que possamos dar a volta nele”, foi o que respondi, e até hoje penso muito nessa conversa/brincadeira com o pequeno Yari, filho de Gê, de quem nunca mais ouvi falar.  Muitos anos, muitas viagens e muitas baias depois, estava diante de uma Ilha baiana e a ideia de dar a volta nela remando de SUP.A Ilha de Boipeba está localizada a cerca de 200 km de Salvador, mas para chegar desde o aeroporto da capital baiana é uma verdadeira saga de cerca de 6 horas que incluem os seguintes trechos: taxi até a balsa, balsa até Itaparica, ônibus até Valença, lancha até Velha Boipeba e trator até um paraíso chamado Moreré. A ilha é cercada pelos rios do Inferno e dos Patos e pelo oceano, Moreré está localizada mais ou menos no meio da costa banhada pelo atlântico.
 
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Moreré no amanhecer

Eu sabia que a ideia de dar a volta na ilha seria muito difícil pelo isolamento de algumas áreas, pela forte incidência de ventos e correntes e pelo fato de estar sozinho. Mesmo assim fiz um planejamento prévio completo, mapeando toda a ilha e a quilometragem aproximada de diversos trechos. A volta completa somava 45 km, quase o triplo do que já havia feito em um único dia. Passei 10 dias por lá e nas primeiras remadas conclui que seria muito arriscado tentar dar a volta, mas depois das ultimas também conclui que é possível e que deve ser maravilhoso (e me arrependi um pouco de não ter realmente tentado). Remei todos os dias em diversas condições, da remada mais longa de cerca de 20 km até as mais curtas para ir até o Boteco Paraíso comer a melhor moqueca do planeta e voltar com a brisa do fim da tarde. Os percursos mais longos estarão nos próximos posts. Aqui abaixo seguem as descrições de duas travessias mais curtas e algumas dicas:



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Boipeba visto de cima em imagem da Boipebatur

Rio Oritibe da Praia da Cueira

Remada de cerca de 8km saindo de Moreré e entrando no rio do canto da praia da Cueira, dica do Amauri, que valeu muito! O rio Oritibe é bem estreito e muito bonito, vários pássaros, inclusive uma árvore inteira forrada por uns trinta ninhos de um pássaro negro com uma faixa vermelha nas costas. A entrada e saída da foz é bem bacana, com algumas ondas, bem mais “harmônicas” que na foz do rio do inferno. Remei até o rio ficar estreito demais para minha prancha, fiz meia volta e voltei.
 
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Praia de Cueira na Ilha de Boipeba – Bahia

 Por fora do recife de Moreré.

Foi uma remada curta e bem intensa, saindo pelo canal de Moreré e indo por fora até o outro canal localizado mais para o norte. Foi bacana pelo contraste entre as águas calmas de dentro do recife e o turbilhão que rola fora. 

Infos práticas de SUP na Ilha de Boipeba

Vi 3 locais para alugar pranchas de SUP, 2 em Boipeba e um na ponta de Bainema (Boipeba Adventure), todos com pranchas boas, mas nenhuma de travessia. Em Moreré vi alguns praticantes, mas todos com pranchas próprias.O fator vento é o mais complicado nessa região nessa época (final do ano). O vento esta sempre presente e em geral é bem forte. O sol nasce as 5:30 e normalmente já está ventando, mas tive alguns dias de manhãs sem vento até umas 7:00 ou com ventos mais amenos. As correntes, em geral, acompanham os ventos.Acho que o grande diferencial da ilha é a enorme variedade de ambientes para o SUP. Rios largos e estreitos, mangues, recifes, baías protegidas, barras agitadas, tudo isso com uma grande variação de maré e o dinamismo que isso cria tanto no visual como nas condições.Como equipamento, creio que o ideal é mesmo um SUP de travessia, importante ter muita proteção para o sol, levar água e uma reef boot ou similar para os pés. 



 
Texto e fotos: Deco Adjiman
 

 

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