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Mar Mexido: Fique Longe da Costa

Tem dias que o mar fica tão agitado que a prancha de stand up parece uma formiga nadando numa maquina de lavar roupas em pleno funcionamento. As ondulações vêm grandes e não parecem ter uma direção muito definida. Aparecem de todos os lados. Variam de tamanho. A prancha fica arisca, difícil de controlar. Com isso, perdemos equilíbrio e caímos do SUP com frequência.

Longe da costa

Na tentativa de nos mantermos em pé, diminuímos a velocidade, focando a concentração no balanço do mar e no controle das pernas e abdômen, gastando, assim, muita energia. Nosso ritmo de remada diminui drasticamente e avançamos de forma lenta.

Remando num mar pesado de São Sebastião – SP

Esse mar “mexido”, de ondas que surgem de várias direções, é efeito do rebote que as ondulações sofrem ao tocarem a costa. As pedras funcionam quase como um espelho que “reflete” as ondas. Elas vêm do alto-mar, batem nas pedras e voltam. Como a costa não é uma parede reta (tem rochas de tamanhos e angulações diferentes), as ondas voltam em tamanhos e direções também diferentes.

Há um termo em inglês para esse fenômeno da volta das ondas: chama-se backwash.

Um ponto interessante é que o backwash interfere muito mais na remada quando estamos próximos da costa de pedras. Quando remamos ao lado de praias, o efeito das ondas voltando diminui muito, tornando-se até desprezível.

E a característica que mais pode nos ajudar na travessia é que, quanto mais longe da costa estivermos, menos sentiremos os efeitos do backwash. Com a distância, as ondas rebatidas vão diminuindo de tamanho e força. Exatamente por isso, você deve considerar se afastar das pedras para recuperar o equilíbrio na prancha de SUP. Assim, nosso gasto de energia diminui bastante e nossa velocidade média aumenta demais.

Foi exatamente isso que fiz na travessia de SUP pelas praias de Itacaré. Lá o mar é bem agitado, o ano todo. Afinal a cidade é famosa pelas ondas perfeitas do surfe. Saí da Praia das Conchas, que é bem abrigada, sem dificuldades. Porém, assim que virei o Farol Quadrado em direção ao mar aberto, senti a força das ondulações. Estava com uma prancha alugada, bem mais estreita do que estou acostumado e não segurei o balanço. Caía com frequência. A solução foi remar mais devagar e longe das pedras.

Da remada em Itacaré, na Bahia

Além de melhorar o equilíbrio, não remar perto da costa ainda minimiza o risco de ser jogado contra as pedras. Como disse Amyr Klink: “o medo de quem navega não é o mar, mas a terra”. Em um mar “mexido” tudo pode acontecer. Uma onda grande pode chegar sem aviso, nos pegar distraídos e, num piscar de olhos, estamos cara a cara com um paredão sólido, cravado de cracas, ouriços e mariscos cortantes, com a força do oceano nos empurrando contra tudo isso.

Então, de forma resumida, fica a dica: em condições de mar agitado, se afaste da costa.

Na próxima dica continuarei falando sobre backwash. Falarei em como utilizá-lo a seu favor. Acompanhe!

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